17/04/2010

à margem



Continuo a conhecer as pessoas mais impossíveis e improváveis.
Continuo a descobrir os mais voláteis, mais border-line, mais sem saída.
Encontro-os inesperadamente, mas são escolhidos a dedo, são escolhidos por um motivo.
Na sua impossibilidade transmitem-me alguma calma, aquela sensação de quem nada quer, nada exige, nada espera, nada precisa.
Chegam e partem.
Trazem-me emoções, diversão, problemas subtis e alguns danos colaterais, mas não requerem plano, estratégia, perspectiva... o que tranquiliza desde o início.
Nada funciona, nada resulta, nada é "para sempre", e é assim que é suposto ser.
Continuam a surgir, continuam a partir.
E eu...
Eu continuo aqui, sentada na margem...
Silenciosa e quieta...
Continuo à tua espera...
Quando é que me vens buscar?

11/04/2010

valsa a três tempos

Lisboa à noite.
Amena e musical.
Começa uma escalada de ruelas.
Oiço música lá à frente.
São violinos e acordeão... uma valsa.
Será real?
Páro no Largo do Carmo. Ali, em frente ao Convento, dança-se.
Gostava tanto de dançar uma valsa... esta música...
Ele olha para mim, sorri e estende-me a mão:
"-Estou a precisar de um par."
Rodopios alinhados numa noite mágica.
As voltas, os passos pequenos, a música que me embala nos braços de um estranho.
Uma das experiências mais românticas da minha existência, com direito a vénia no final.
Surpreendente e curiosamente... real.
Obrigada pela dança, foi muito especial.
Há noites assim...
:)

"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música."
(Nietzsche)

02/04/2010

candles



"how far that little candle throws his beams!
so shine a good deed in a naughty world"

(William Shakespeare)