25/03/2009

Cativar

"Foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu o principezinho com delicadeza.
(...)
- Anda brincar comigo, propôs-lhe o principezinho. Estou tão triste…
- Não posso brincar contigo, disse a raposa. Ainda ninguém me cativou.
(...)
- Que significa “cativar”?
(...)
- É uma coisa de que toda a gente se esqueceu, disse a raposa, significa “criar laços…”
(...)
-Para mim, não passas por enquanto, de um rapazinho em tudo igual a cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu não precisas de mim.
Para ti, não passo de uma raposa igual a cem mil raposas. Mas, se me cativares, precisaremos um do outro.
Serás para mim único no mundo. Serei única no mundo para ti (...) se tu me cativares, será como se o Sol iluminasse a minha vida.

E depois, olha! Vês, lá adiante, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me dizem nada. E é triste! Mas os teus cabelos são cor de oiro. Por isso, quando me tiveres cativado, vai ser maravilhoso. Como o trigo é doirado, fará lembrar-me de ti. E hei-de amar o barulho do vento através do trigo…
(...)
- Cativa-me, por favor, disse ela.
(...)
- Como é que hei-de fazer?, disse o principezinho.
-Tens de ter muita paciência, respondeu a raposa.
Primeiro, sentas-te um pouco afastado de mim, assim, na relva.
Eu olho para ti pelo cantinho do olho e tu não dizes nada.
A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, de dia para dia, podes sentar-te cada vez mais perto…

No dia seguinte, o principezinho voltou.
- Era melhor teres vindo à mesma hora, disse a raposa.
Se vieres, por exemplo, às quatro horas da tarde, às três já eu começo a ser feliz.
À medida que o tempo avançar, mais feliz me sentirei. Às quatro horas já começarei a agitar-me e a inquietar-me; descobrirei o preço da felicidade. Mas se vieres a uma hora qualquer, nunca posso saber a horas hei-de vestir o meu coração…

(...)
Foi assim que o principezinho cativou a raposa.

E quando se aproximou a hora da partida:
- Ah! disse a raposa… Vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, não queria que te acontecesse mal; mas tu quiseste que eu te cativasse (...)
- É certo, disse a raposa.
- Então não ganhas nada com isso!
-Ganho, sim, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
(...)
-Adeus, disse ele.
-Adeus, disse a raposa.
Vou dizer-te um segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração.
O essencial é invísivel para os olhos.
(...)
Os homens esqueceram esta verdade, mas tu não deves esquecê-la.
Ficas para sempre responsável por aquele que cativaste. "
(in O Principezinho - Saint-Exupèry)

18/03/2009

I've been here before...

Destruam-me a casa.
Mandem-me abaixo as paredes.
Arrombem-me as portas.
Abatam-me os tectos.
Estilhacem-me as janelas.
Força! Outra vez! Mandem tudo ao chão!
E outra, e outra, e mais outra vez!
Podem fazê-lo repetidamente, podem fazê-lo até se cansarem.
De cada vez que me forçam a reconstruí-la fica mais sólida, fica mais forte.
Há coisas que coloco em lugares diferentes, há janelas que já não abro, mudo a porta de sítio, dou menos valor aos enfeites, deixo ficar apenas o essencial... descubro, surpreendentemente, o que realmente merece estar na minha casa.
De todas as reconstruções aprendo novas técnicas, encontro novas ajudas, ensinam-me novos métodos para firmar a casa.
Ainda não sei se a quero neste sítio, se a quero mudar de terra.
Ainda não sei quantos quartos quero que tenha.
Ainda não sei se quero viver nela sozinha, se quero convidar alguém para cá morar (eventualmente... não agora!).
Ainda não sei se quero soalho ou mosaico, se quero banheira ou chuveiro.
Não sei. Não interessa nesta fase.
Apenas sei que, mais uma vez, vou começar do início e vou reconstruí-la, com todo o empenho, toda a força, coragem e dedicação que me merece o meu lar.
Sei, com toda a certeza, que as traves que ficam de fora realmente não fazem parte e não interessam. Sei que foi por essas traves que se deu o desabamento... Não as quero de volta!
Quero uma casa sólida e firme.
Começo a ganhar experiência.
Estou farta de caruncho... e caruncho é bicho que não quero a viver comigo.



Descobrimos que às vezes amar é ir embora...

16/03/2009

Tempestade e bonança


Odeio o Inverno. Odeio o frio, a chuva, o vento que corta.

Detesto céus cinzentos, dias nublados, nevoeiro.
Detesto andar cheia de roupa. Detesto camisolas sobre camisolas com casacos, impermeáveis, cachecóis e afins.
Não gosto de andar de chapéu de chuva. Detesto sair do carro a chover e andar de um lado para outro quando chove.
Detesto a sensação de humidade, de pele viscosa, de cabelo encrespado e alvoraçado.
Detesto sentir frio, de me sentir a gelar, de tremer, das mãos frias e dos pés frios que teimam em não aquecer.
Detesto a ponta do nariz gelada, o pingo a cair, as rosetas do frio.
Não gosto de tempestades, de trombas de água, de trovões.

Não gosto de nada disto... mas sei que são necessários.

Confesso que necessito passar pelo Inverno para melhor saborear o Verão.
Só assim posso amar o sol, o quentinho dum final de tarde, a liberdade de andar com pouca roupa e chinelos na rua.
Só assim dou verdadeiro valor ao céu azul, ao céu estrelado, às noites quentes, às esplanadas e bebidas frescas.
Só assim posso saber como amo o Verão.
Sei que preciso das tempestades que me abalam o mundo para beber da calmia da bonança.
As tempestades podem ser fortes, violentas, deitar por terra quase tudo aquilo que temos e conhecemos como nosso e verdadeiro, podem parecer dolorosas, desnecessárias, intermináveis mas, mais cedo ou mais tarde, elas acabam mesmo por passar.

A sensação vitoriosa de estares de pé no final mostra-te que a tempestade fez de ti uma pessoa melhor e mais forte.

E a paz e tranquilidade que sentes passam a fazer todo o sentido, sentes que tudo valeu a pena.

Afinal, agora, o sol brilha lá fora.

12/03/2009

"Hagas lo que hagas lo que tenga que pasar, pasará..."

03/03/2009

Acreditas?

Acredito:
  • que quando falo com Deus há algo ou alguém que me escuta
  • que nada acontece por acaso
  • em sinais
  • que somos muito mais que este corpo que apresentamos
  • que a "morte" é uma passagem
  • na energia positiva
  • que quando seguimos o nosso coração o universo conspira a nosso favor
  • na amizade
  • na amizade entre homem e mulher sem segundas intenções
  • no destino
  • que há pessoas que existem na nossa vida para nos lembrarem qual é o nosso caminho
  • que quando precisamos de uma resposta basta estarmos atentos que ela aparece
  • que não vale a pena fugir, evitar, esconder... temos de enfrentar os nossos medos, receios, as situações/pessoas sob pena de se tornarem assuntos pendentes
  • que os assuntos pendentes nos perseguem até que os resolvamos
  • no Bem e no Mal como parte integrante de cada um de nós
  • que há "pessoas especiais"
  • que as más experiências servem para nos encaminhar para algo melhor/maior
  • que é possível ser feliz sem marido/mulher ou namorado(a)
  • que as crianças nos ensinam mais a nós que nós a elas, depois crescemos e esquecemos...
  • que todos temos que descobrir quem somos na nossa essência e que para isso precisamos de estar sozinhos (uns conseguem-no mais cedo, outros são forçados a fazê-lo na velhice, outros há que têm de cá voltar...)
  • na intuição, no sexto sentido
  • em sonhos
  • no Amor...
  • em mim!


"Acreditar em algo e não o viver é desonesto." (Gandhi)

E tu?
Em que é que acreditas?


Hoje é um dia especial... 3/3 :)