13/04/2009

O caminho

Quando tudo parece perdido, quando já não sabes para onde deves ir, ata as tuas botas, desempoeira a roupa e segue.

Não importa o objectivo.
Mesmo que pareça ser algo insignificante, algo que até podes achar que não te vai levar longe, algo que todos te dizem que não vale a pena... Quando o queremos, quando o sentimos, há que segui-lo.
Seja qual for o objectivo inicial, o caminho é o mais importante.

Quando nos decidimos a seguir o caminho, há que fazê-lo com passo firme, decidido, sem medo.
Não importa o impulso que nos levou a fazê-lo, não importa que trilhos imaginámos no início da caminhada.
O que importa é mesmo o caminho, o que importa são as experiências que adquirimos por o termos seguido, as pessoas que conhecemos nas encruzilhadas e os atalhos que encontrámos das vezes que nos perdemos.
De nada vale procurar o caminho mais curto, mais fácil... com essas preocupações acabamos por não aproveitar aquilo que a viagem tem para nos oferecer.

Não sei se somos nós que escolhemos o caminho, se é o caminho que nos escolhe a nós...
Nunca descobriste um caminho novo só porque te perdeste ao seguires um atalho que não conhecias?
Nunca te aconteceu algo fantástico só porque uma série de acontecimentos te levaram a ir pela estrada A em vez da estrada B?
Nunca conheceste uma pessoa especial quando o teu objectivo era fazeres algo completamente diferente?
E quando pensas nisso, dias mais tarde, dás por ti a sorrir?

Se nos deixarmos levar por esses trilhos, beber das águas dessas fontes, cheirar as flores do caminho, perguntar direcções ao habitantes (nem que seja para meter conversa), há tantas coisas que aprendemos, tantas que sentimos, tantas que conhecemos...
Basta deixarmos de nos preocupar que as respostas surgem e as coisas acontecem, mesmo quando não as esperamos.

02/04/2009

Ter de ir, ter de fazer, ter de ser...


Há alturas na nossa vida em que nos rodeamos de gente, sejam eles quem forem, porque precisamos do barulho, da confusão, das imagens que nos "limpam" a mente de pensamentos que queremos evitar.
Há outras fases em que nos tornamos selectivos e apenas queremos ao nosso lado aqueles de quem realmente gostamos, aqueles que gostam de nós e aqueles que nos fazem bem, quer pela diversão, quer pela conversa, quer pela companhia ou interesses comuns.

Ou então preferimos ficar sozinhos.

Essas alturas são as consideradas mais egoístas e mais egocêntricas. Nem toda a gente nos compreende, nem toda a gente consegue ver que não estamos para levar com "birras", que não queremos saber se o verniz que a tia usa subiu de preço, que não estamos para ouvir que o mundo está cada vez pior, que o trabalho é chato, que os colegas são desleixados...

Quem compreende quando dizemos que não nos apetece estar com aquela pessoa?

Quem compreende quando recusamos uma festa só porque vai "gente a mais"?

Quem compreende quando preferimos um cházinho íntimo e modesto a uma grande jantarada com tudo o que é gente?

É difícil entender... eu sei... é difícil...

E cansa.

Aí dizemos: "estou mesmo a precisar de férias..."

E que bem que elas nos fazem...

Afastam-nos do tumulto do dia-a-dia, das obrigações, do ter de ir, do ter de fazer, do ter de ser...

É o nosso momento de revitalização, para retemperar energias, dar força para o novo ciclo do ter de ir, ter de fazer, ter de ser...

Voltamos.

Estamos animados, parece que conseguimos enfrentar tudo, sorriso nos lábios, boas recordações, bons momentos, paz, tranquilidade, coisas novas.

Chegamos.

Olhamos em volta e lá vem de novo a vida de plástico, em que nos obrigam a ter de ir, ter de fazer e ter de ser...

Basta.

Hoje não quero ir, não quero fazer e não quero ser assim.

Hoje não vou.

Posso?