Há quem fuja do sofrimento. Eu corro para ele.
Quando algo não dói o suficiente, eu opto por ficar por lá, naquele lugar frio, desolado, para me deixar tomar por toda aquela dor que facilmente passaria ao lado se eu deixasse.
Se me sinto triste, não me tento alegrar, bebo dessa tristeza e alimento-a carinhosamente como um filho, com imagens, sons, músicas, pensamentos e memórias tristes.
Quem não sofre não vive, não sente.
Começo a achar-me viciada na dor, no negro, no lado sombrio das coisas...
nem que seja para voltar a mim, sentir este corpo que chora, esta alma que dói, senti-los como meus, como parte de mim, saber que estou viva aqui e agora, quase como se fosse um beliscão para acordar de um sonho...