Estando em "idade casadoira" dificilmente nos conseguimos esquivar de um ou dois casamentos de amigos por ano.
Este último casamento a que fui foi brindado com a alegria, brincadeiras, correrias e traquinices de dezenas de crianças (os amigos também começam todos a ter filhos...)
Uma das coisas mais engraçadas que notei foi o deslumbramento das meninas de chorão de braçado ao ver a noiva. Já os meninos pouco olharam a noiva e muito menos o noivo, querem é brincar e pular e jogar às lutas e guerras com os amigos.
Isto tem tudo como pano de fundo a nossa educação enquanto crianças. Eu também fui uma "princezinha da Disney", educada com historinhas e filmes de animação em que a princesa encontrava o príncipe e vivia feliz para sempre, fazendo-nos acreditar que era a partir desse momento, a partir do momento em que esse estranho a cavalo as tomava nos braços e beijava que a sua vida mudaria e seria só felicidade.
As meninas olham a noiva e vêem a princesa, o vestido e todo aquela ambiente de velas e flores ajudam à fantasia.
Será que é isto que nós queremos para as nossas meninas, será que queremos que cresçam num mundo de fantasia?
Quando começaremos nós a educá-las para admirar a "tia solteirona"? Talvez fizesse mais sentido...
Afinal de contas, a tia solteirona habitualmente tem uma experiência de vida mais rica, é forte, decidida e independente, tem aventuras para contar, vários romances falhados que ensinam sempre tanto sobre a natureza humana... É mais viajada, fala várias línguas, ouve músicas fixes e tem a vantagem de não ter pudor em dar à jovem menina a sua primeira lingerie sexy enquanto a mãe se recusa a aceitar que a filha cresceu e insiste em vesti-la com roupinhas de princesa com folhinhos até ao pescoço. Normalmente a tia solteirona dá prendas boas e parece acertar naquilo que mais queríamos receber.
De nada nos vale a educação das princesas se o mundo real é feito de bruxas, madrastas, irmãs más e sapos, muitos sapos...
Não há príncipe que salve ninguém e o viver feliz para sempre é um esforço diário e temos de ser nós a fazê-lo, de dentro para fora.
Apesar de continuar a ser uma romântica da Disney (é difícil apagar tantos anos de "programação"), hoje gostaria que me tivessem educado para admirar a tia solteirona em vez da noiva, seria mais útil e mais real.
A todos os meus amigos que se casaram recentemente desejo as maiores felicidades, que saibam crescer enquanto casal e saibam viver as fantasias e o romantismo no mundo real.
Ah! E já agora, por favor, expliquem melhor essa história das princesas às vossas filhas. Não querem que elas se sintam as mulheres mais infelizes do mundo só porque não lhes apareceu o príncipe no cavalo branco...
"Esta vida são dois dias e um é para acordar das histórias de encantar..."
