Há algum tempo que não fazia este caminho.
Soube-me muito bem.
O céu está de um azul tão intenso, com umas núvens tão fofas que quase parece ouvir-se o jingle dos Simpsons a surgir em letras amarelas.
A viagem faz-se mais rápido do que esperado, as distracções do caminho ajudam o tempo a passar, não se sente a solidão, nem a angústia do asfalto.
É primavera, a mata é pincelada de amarelos que bem-me-querem e borrões alilasados.
Passar ao lado das praias da infância, seguir a par com a linha do comboio, atravessar o pinhal do Dinis, a serra lousanense com os voos acrobáticos das aves de rapina a saudarem-me no caminho de alcatrão.
E depois, encontrá-la de frente... lá no alto, banhada pelas águas do Mondego.
Linda, cidade da saudade, menina-mulher, universidade, trajada a rigor para a festa dos estudantes... sempre, sempre estudante.
O rever de amigos, o aconchego de onde parece nunca se ter saído, tudo tão meu.
Sabe bem ao coração.
Bebe-se, brinda-se, canta-se, dança-se... com alguém que nunca vi, mas que beijo de boa-sorte.
Leio a frase deste ano:
"Momentos que passam, saudades que ficam"Sim, esta é para mim.
Tudo faz sentido e sabe tão bem...
Coimbra.