29/09/2010

y él dijo


"(...) la besé por todo el cuerpo hasta quedarme sin aliento:
la espina dorsal, vértebra por vértebra, hasta las nalgas lánguidas, el costado del lunar, el de su corazón inagotable.
A medida que la besaba aumentaba el calor de su cuerpo y exhalaba una fragancia montuna.
Ella me respondió con vibraciones nuevas en cada pulgada de su piel, y en cada una encontré un calor distinto, un sabor proprio, un gemido nuevo, y toda ella resonó por dentro con un arpegio y sus pezones se abrieron en flor sin tocarlos (...)"


Gabriel Gárcia Márquez en Memória de mis putas tristes

28/09/2010

cicatrizes



Certos acontecimentos deixam a sua marca.

CORTES

FERIDAS

CICATRIZES

Quanto mais vivido e mais intenso o acontecimento, mais profunda a marca e mais evidente a cicatriz.
Quando a cicatriz se pode tapar, apenas a mostramos a quem confiamos, a quem se mostra merecedor da nossa intimidade.
Às vezes falhamos as contas, esticamo-nos um bocadinho mais e, quase sem dar conta, ela aparece.
Sabemos que se viu, uns denunciam-na logo, outros fingem que não a viram e outros fazem-nos perguntas e querem saber como a fizemos.
Partilhamos o que queremos partilhar, contamos o que queremos contar e a quem acharmos merecedor dessa confidência.
Quando o fazemos é porque confiamos, é porque acreditamos.
O tempo passa e revela os erros de cálculo.
Ninguém gosta de ouvir vezes sem conta as mesmas conversas, as mesmas perguntas.

depois do acidente não voltaste a ser a mesma
...
ainda hoje me pergunto como pudeste fazer uma coisa dessas..
logo tu...
tens uma cicatriz enorme...

Ninguém gosta que lhe apontem o dedo,
ninguém gosta de ser massacrado por um erro
antigo, antigo...

26/09/2010

por toda la vida

-Y hasta cuándo cree usted que podemos seguir en este ir y venir del carajo? - le preguntó.

Florentino Ariza tenia la respuesta preparada desde hacía cincuenta y tres años, siete meses y once dias con sus noches.

- Toda la vida - dijo.

(Gabriel García Márquez - El amor en los tiempos del cólera)

Auto-estima


A auto-estima é algo de curioso quando conhecemos alguém.
A auto-estima deve ter a forma, o tamanho e a quantidade certa.
Tanto a sua falta como o seu excesso pode actuar como um repelente poderoso.
A auto-estima... quem diria...
É mesmo um ponto importante.
Nem sim, nem não.
Nem mais, nem menos.

Na conta certa.

19/09/2010

qual é o teu caminho?



Hoje passei o dia numa sala com cerca de 100 pessoas.
Hoje passei o dia sentada no chão tendo apenas meio metro quadrado para ocupar.

Hoje passei o dia rodeada por estranhos.
Estranhos que se abraçam.

Estranhos que passam horas sem comer, sem esticar as pernas, sem dormir.
Estranhos que sorriem mesmo quando o calor aperta, as forças falham e o corpo pede clemência.
Estranhos que ouvem silenciosamente.

Estranhos com muitas histórias para contar.

A proximidade foi muita.
A partilha também.
Nem tudo é meu, nem tudo será meu, nem tudo quero que seja.
Tiramos o bom que temos de tirar das coisas e levamos para casa o que queremos levar.

No meio da sessão o homem ao meu lado dirige-me a palavra:

-Há coisas que eu ainda não percebo nesta filosofia.
É suposto ser-se vegetariano aqui, mas estão "autorizados" a comer peixe ocasionalmente.
Devo dizer que para mim é tão bom comer um belo bife de vaca como saborear uma boa posta de espadarte! e sorriu.
Sorri de volta:
-Para mim também.
As coisas mais fantásticas são ouvidas nos sítios mais inesperados.

Estamos no caminho certo.

O nosso.

se eu quiser...

tenho que ficar a sós
tenho que apagar a luz
tenho que calar a voz
tenho que encontrar a paz
tenho que folgar os nós
dos sapatos, da gravata
dos desejos, dos receios
tenho que esquecer a data
tenho que perder a conta
tenho que ter mãos vazias
ter a alma e o corpo nus...

tenho que aceitar a dor
tenho que comer o pão
que o diabo amassou
tenho que virar um cão
tenho que lamber o chão
dos palácios, dos castelos
sumptuosos do meu sonho
tenho que me ver tristonho
tenho que me achar medonho
e apesar de um mal tamanho
alegrar meu coração...

tenho que me aventurar
eu tenho que subir aos céus
sem cordas para segurar
tenho que dizer adeus
dar as costas, caminhar
decidido, pela estrada
que ao findar vai dar em
nada, nada, nada, nada
nada, nada, nada, nada
nada, nada, nada, nada
do que eu pensava encontrar


(Gilberto Gil)

18/09/2010



quero correr, fugir, voar...
até ti...

onde estás?

12/09/2010

sinto-me uma fotocópia, prefiro o original

i am who i am.
there's nothing i can do to change that.
i'm not like everybody else, i'm me and i'm different.
i'm not someone's copy and i don't want to be.
i know me and i accept me.
i am who i am.
somethings are as they are, no matter what.

a chair is still a chair even when there's no one sitting there.
e a lua acompanhou-me durante a viagem.
assim,

pendurada de lado,

como se fosse um brinco...