20/12/2009

"Contos em viagem- Brasil"



Mentiram-me.
Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente.
Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente

que acho que mentem sinceramente.
(...)
Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.

Mas não se chega à verdade

pela mentira, nem à democracia

pela ditadura.

(...)
Penso nos animais que nunca mentem,
mesmo se têm um caçador à sua frente.

Penso nos pássaros

cuja verdade do canto nos toca

matinalmente.

Penso nas flores

cuja verdade das cores escorre no mel

silvestremente.

Penso no sol que morre diariamente

jorrando luz, embora

tenha a noite pela frente.

(...)
Página branca onde escrevo.
Único espaço
de verdade que me resta.
Onde transcrevo

o arroubo, a esperança, e onde tarde

ou cedo deposito meu espanto e medo.


Para tanta mentira só mesmo um poema

explosivo-conotativo

onde o advérbio e o adjectivo
não mentem
ao substantivo
e a rima rebenta a frase

numa explosão da verdade.

E a mentira repulsiva

se não explode pra fora

pra dentro explode
implosiva.
(A implosão da mentira - Affonso Romano de Sant'Anna)

Uma noite fria.
Entra-se noutros meridianos que fazem lembrar momentos passados, parece que se navega naquele rio...
Tudo começa com "siga pelo caminho errado", só quando perdemos é que conseguimos encontrar.
Sons que transportam para outras geografias, sons de calor, sons de natureza, palavras que fazem sentido e que se levam para casa.
Ouvem-se as mentiras, guardam-se as verdades, no papel, no palco e na vida.

Pedrinho obrigada pela boa companhia nesse serão "Meridional".
Obrigada pelos desejos.

"Desejo a você" também!
:)

02/12/2009

Encerrando ciclos



É sempre preciso saber quando uma etapa chega ao fim.
Se insistirmos em permanecer nela
mais do que o tempo necessário,
perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos,
fechando portas,
terminando capítulos,
não importa o nome que damos.

O que importa é deixar no passado
os momentos da vida que já se acabaram.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado,
nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem connosco.

As coisas passam e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja)
destruir recordações,
mudar de casa,
dar muitas coisas para orfanatos,
vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível,
do que está acontecendo em nosso coração
e o desfazer-se de certas lembranças

significa também abrir espaço
para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora.
Soltar.
Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas.
Portanto, às vezes ganhamos e às vezes perdemos.

Antes de começar um capítulo novo
é preciso terminar o antigo:
diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa...
Nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos.
Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba.
Mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta,
mude o disco,
limpe a casa,
sacuda a poeira.

Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

(Paulo Coelho)

22/11/2009

Espaço em branco



este é o espaço em branco onde se ouve o silêncio da tua ausência

são os beijos que não me dás

são as palavras que não me dizes

as mãos que não me tocam

os olhos que não me vêem

está vazio...

e ao mesmo tempo

tão cheio de ti.

20/11/2009

Saying what you feel



Saying what you feel...

Is it brave

or just silly?



Sometimes is just worthless.

09/11/2009

Salvas-me?



Lamento e choro e sofro.
Chamo-lhe fado, má sorte, desgraça, destino, azar.
Grito por alguém que me ajude, que me leve daqui, desta vida que não muda, desta tortura cíclica em que mergulho e não sei sair.

Ele chega.
Olha-me com ternura.
Sussurra que me ama enquanto me afasta a franja da testa.
Pega-me na mão, segura-me.
Diz que me vai salvar.
Diz que me vai proteger dos perigos desta vida madastra.
O mundo pára.
Olho-o com toda a dúvida que pode haver cá dentro.
Sinto-me perdida.

Mas vais salvar-me de quê?
De viver? De bater com a cabeça?
De me perder nos atalhos tortuosos deste mundo? De escorregar e cair?
De enfrentar as dúvidas e os perigos que espreitam a cada esquina?
De ficar sem chão, ferida?
De sofrer por amor? De dilacerar o coração?


Olho-o novamente.
Deixo-me mergulhar no seu olhar doce de quem oferece tudo o que tem e mais do que pode dar.
Sorrio e fico calada.
Respondo cá dentro.

Não. Não posso. Não quero. Não consigo viver sem as dores e as vertigens, sem as dúvidas e as angústias. Não me posso permitir deixar de viver, de sentir todos os perigos e todas emoções intensas e loucas que tenho direito a viver. Quero perder-me para me encontrar em novos caminhos. Quero apaixonar-me pela lua mesmo que para isso possa ficar perdida na noite. Quero amar até doer. Quero voar até cair. Quero sentir o vento que corta e o sol que queima. Quero abrir o coração e poder enchê-lo de amor até rasgar o peito.

Não quero que me salves e me protejas.
Quero viver e sentir...

Opto.
Fico sozinha.

Posso?

02/11/2009

Maybe...


Maybe some women aren't meant to be tamed.

Maybe they're supposed to run wild until they find someone...

... just as wild, to run with. "

(Sex And The City)

24/10/2009

Se a vida te dá limões...

Se a vida te der limões porque raio hás-de fazer limonada se nem gostas da acidez, se te amarga a boca, se te deixa o estômago a arder e a língua áspera?...

Porque temos de ouvir a mesma história de sempre de aproveitar o que nos aparece à frente como se a nossa vida acabasse amanhã e nem temos a certeza se as ditas oportunidades nos dizem alguma coisa de facto?...
Gramamos com a retórica dos sinais e de que nada acontece por acaso e que tudo surge no tempo certo e nem sabemos se acreditamos ou se queremos muito acreditar.
Apenas o que sentimos cá dentro é real.
Ouvimos o sermão do "não sabes o que queres", da insatisfeita, da indecisa...
Se não souber a nada, não quero comer.
Há sabores que gosto outros que nem por isso, não é simples?

A verdade é que eu sei bem o que quero, pode ser difícil de encontrar, mas tenho a certeza do meu pedido:

-"Olhe, se faz favor! Para mim é uma posta de espadarte com sabor a sardinha!"

:)

15/10/2009

Como um Verão a meio de Outubro



Já vos aconteceu desejarem muito uma coisa e depois ela aparecer de repente, inesperadamente, caída dos céus aos trambolhões e não estarem preparados para a receber?

Pescar pode ser divertido e andar com o anzol vazio não angustia, é desporto.
Acabas por já nem te lembrares que na pesca "arriscas-te" efectivamente a pescar.

E se nos fisga a linha um peixe que não conseguimos carregar, que não temos força, que não sabemos ou não estamos preparados para lidar com ele?

E agora?
Que faço eu com um espadarte?...

10/10/2009

En mi corazón...

"Era como uno de ellos, pero no era uno de ellos.

Por esa razón debía marcharse cada cierto tiempo, porque - le explicaban - era bueno que no fuera uno de ellos.

Deseaban verlo, tenerlo, y también deseaban sentir su ausencia, la tristeza de no poder hablarle, y el vuelco jubiloso en el corazón al verle aparecer de nuevo..."

(Luis Sepúlveda - Un viejo que leía novelas de amor)

20/09/2009

What doesn't kill you

makes you...

  • bitter or sweeter?

  • better or worser?

  • stronger or weaker?

  • fatter or thinner?

  • smarter or dummer?

  • sadder or happier?

  • bigger or smaller?

  • prettier or uglier?

  • sicker or healthier?

  • social or lonely?...

every choice has a consequence...

09/09/2009

H1N1 a pedido de várias famílias

Um amigo meu mandou-me um mail com esta notícia preocupado a pedir a minha opinião.

http://www.dailymail.co.uk/news/article-1206807/Swine-flu-jab-link-killer-nerve-disease-Leaked-letter-reveals-concern-neurologists-25-deaths-America.html

A minha resposta não tem base científica, é apenas a opinião informal de uma profissional de saúde pouco convencional e vale o que vale, mas aqui vai para quem interessar.

Não sei dizer ao certo quando são verdadeiras ou falsas estas notícias. No entanto, para mim faz muito sentido. Afinal de contas estamos a inocular no nosso organismo substâncias que nos são estranhas e cujos efeitos ainda não foram comprovados.
Penso que esta notícia em especial se refere a uma vacina já criada há alguns anos (the 1976 US swine flu campaign) será digamos assim a mãe do actual "tamiflu" e da nova vacina para a gripe A.
É muito provável que venham a surgir vários efeitos colaterais, mas que só serão percebidos ao longo dos anos, e os problemas neurológicos figurarão no topo da lista, sem dúvida.
Aqui vai um conselho de uma amiga e de simultaneamente uma profissional de saúde:
-Não tomem essas vacinas e não tomem o "tamiflu"!
(As farmacêuticas vão cair-me em cima...)
Eu sempre disse que não a tomaria, nem que me obrigassem (e eu trabalho com os casos mais graves de infecção com o H1N1).
Isto tudo me parece um grande alarido com mais uma estirpe de vírus da gripe que as farmacêuticas aproveitaram com unhas e dentes para ganhar muitos milhões. À custa do pânico da população enchem eles os bolsos.
Recordo-me da polémica das meningites nas crianças quando quiseram vender milhões de vacinas e ainda conseguiram que fossem introduzidas no plano de vacinação, tudo um grande embuste! Eu sei, eu estava a trabalhar em pediatria durante essa altura e posso garantir que os casos de meningite não foram assim tantos...

Há que controlar o pânico.
Esta gripe é mais contagiosa, é verdade, há que tomar medidas de protecção individual: lavar as mãos regularmente, evitar as mãos em superfícies críticas (maçanetas de portas, p.e.), evitar partilhar alimentos e bebidas (nada de "dá-me uma trinca" a não ser no sentido mais erótico da coisa), não escarrar para o chão, não tossir ou espirrar para cima de ninguém... enfim, coisas que os nossos pais certamente nos ensinaram.

Cuidem da vossa saúde com desporto de preferência ao ar livre e uma alimentação cuidada, rica em vegetais e vitamina C e nada de pânicos e stresses injustificados.

Ah! E sejam felizes, amem muito, porque isso reforça as defesas!
:)

07/09/2009

Homens e Mulheres


(Em resposta a um colega que nos atacou com pérolas destas: "vocês vestem-se e arranjam-se para caçar homem", "quando saem à noite é para o engate", "os homens não se casam com mulheres assim, só as querem f****", "é assim que os homens vos veêm, queres, queres, se não queres ficas uma solteirona amarga por não teres homem"...)

Agora que já me explicaste tudo o que tenho de saber sobre os homens, deixa-me agora dizer-te umas verdades sobre as mulheres, não é sobre as mulheres como as nossas mães e avós que nunca puderam ser elas próprias e se anularam em prol de casamentos de aparência, mas sim sobre as mulheres de hoje.

As mulheres gostam mesmo de se sentir bonitas e sexys.

Quando compramos roupa nova pensamos mais facilmente "aquela colega vai enverdecer de inveja deste meu top novo" do que propriamente "agora é que vou engatar um gajo".
Quando saímos juntas vamos maquilhadas, bem vestidas, às vezes até provocantes e chamativas, chegamos a competir entre nós.
O momento alto da noite não é ver os gajos rebarbados a babar, mas sim a gaja na fila da casa de banho dizer-nos que adorou as nossas sandálias e pergunta onde as comprámos (saímos de lá com um sorrisão).

As mulheres cantam e dançam sozinhas em frente ao espelho só porque sim!, só para se sentirem sexys, sem ninguém a ver, ninguém, nenhum macho, só elas próprias.
As mulheres tomam banhos de espuma, sais bem-cheirosos e óleos perfumados, mesmo quando não têm nenhum encontro previsto nos próximos meses, fazem-no por elas.

As mulheres não se tornam amargas por não terem homem, simplesmente algumas deixam-se amarguecer pelos comentários machistas e pelas pressões sociais.

Quando vemos um casalinho abraçado na praia quando nós estamos sozinhas, é claro que pensamos que gostávamos de estar acompanhadas também... mas habitualmente o que mais fazemos é comparar quem tem mais celulite no rabo, é aí que mais focamos a nossa atenção.
Quando estamos solteiras temos momentos de solidão em que nos sentimos as mulheres mais infelizes do mundo e desejamos secretamente arranjar uma companhia nem que seja por um dia ou uma noite, nesses momentos raramente pensamos em marido...
Quando estamos casadas ou juntas temos momentos de desespero em que nos sentimos as mulheres mais infelizes do mundo, invejamos secretamente a vida das solteiras, queríamos sair como elas, divertirmo-nos como elas, viajar como elas, passa-nos muitas vezes pela cabeça "e se eu não tivesse casado?", pensamos muitas vezes "e se eu fugisse?"

Queremos muito mais ter filhos que ter marido.
Quando temos filhos, os homens passam para baixo na nossa escala de prioridades, às vezes chegamos a esquecê-los.

Somos vaidosas.
O centro das nossas preocupações e do nosso mundo não são vocês... somos nós.

30/08/2009

Príncipes e princesas


Estando em "idade casadoira" dificilmente nos conseguimos esquivar de um ou dois casamentos de amigos por ano.
Este último casamento a que fui foi brindado com a alegria, brincadeiras, correrias e traquinices de dezenas de crianças (os amigos também começam todos a ter filhos...)
Uma das coisas mais engraçadas que notei foi o deslumbramento das meninas de chorão de braçado ao ver a noiva. Já os meninos pouco olharam a noiva e muito menos o noivo, querem é brincar e pular e jogar às lutas e guerras com os amigos.
Isto tem tudo como pano de fundo a nossa educação enquanto crianças. Eu também fui uma "princezinha da Disney", educada com historinhas e filmes de animação em que a princesa encontrava o príncipe e vivia feliz para sempre, fazendo-nos acreditar que era a partir desse momento, a partir do momento em que esse estranho a cavalo as tomava nos braços e beijava que a sua vida mudaria e seria só felicidade.
As meninas olham a noiva e vêem a princesa, o vestido e todo aquela ambiente de velas e flores ajudam à fantasia.
Será que é isto que nós queremos para as nossas meninas, será que queremos que cresçam num mundo de fantasia?
Quando começaremos nós a educá-las para admirar a "tia solteirona"? Talvez fizesse mais sentido...
Afinal de contas, a tia solteirona habitualmente tem uma experiência de vida mais rica, é forte, decidida e independente, tem aventuras para contar, vários romances falhados que ensinam sempre tanto sobre a natureza humana... É mais viajada, fala várias línguas, ouve músicas fixes e tem a vantagem de não ter pudor em dar à jovem menina a sua primeira lingerie sexy enquanto a mãe se recusa a aceitar que a filha cresceu e insiste em vesti-la com roupinhas de princesa com folhinhos até ao pescoço. Normalmente a tia solteirona dá prendas boas e parece acertar naquilo que mais queríamos receber.
De nada nos vale a educação das princesas se o mundo real é feito de bruxas, madrastas, irmãs más e sapos, muitos sapos...
Não há príncipe que salve ninguém e o viver feliz para sempre é um esforço diário e temos de ser nós a fazê-lo, de dentro para fora.
Apesar de continuar a ser uma romântica da Disney (é difícil apagar tantos anos de "programação"), hoje gostaria que me tivessem educado para admirar a tia solteirona em vez da noiva, seria mais útil e mais real.

A todos os meus amigos que se casaram recentemente desejo as maiores felicidades, que saibam crescer enquanto casal e saibam viver as fantasias e o romantismo no mundo real.
Ah! E já agora, por favor, expliquem melhor essa história das princesas às vossas filhas. Não querem que elas se sintam as mulheres mais infelizes do mundo só porque não lhes apareceu o príncipe no cavalo branco...

"Esta vida são dois dias e um é para acordar das histórias de encantar..."

20/08/2009

Can you walk in my shoes?


"You can't really understand another person's experience until you've walked a mile in their shoes"


Can you walk in my shoes?

06/08/2009

Portas e janelas

"Quando Deus nos fecha uma porta, abre-nos algures uma janela"

Não posso dizer que a minha vida tenha sido madrasta, até me considero uma pessoa abençoada e feliz (à minha maneira).
No entanto, nada do que tenho na vida me apareceu de mão beijada, nem nada me caiu do céu.
O que sou e o que consegui foi à custa de pequenas-grandes batalhas, de lutas (às vezes até comigo própria), à custa de opções difíceis, de várias quedas, de várias portas na cara...
Mas sim, é verdade, há sempre a tal janela entre-aberta à minha espera, basta estar atenta.
É claro que entrar por janelas é bem mais empolgante, é diferente, é original, estimulante, dá uma certa pica.
Como consequência de tantas janelas ganhei umas quantas esfoladelas, abrasões, equimoses, até algumas luxações que me ficaram para sempre e voltam com dores fininhas quando o tempo vai mudar ou quando vai chover (como diz a minha avó quando lhe dói o joanete).
É verdade, ganhei alguma prática nisto das janelas, e apesar de toda a emoção que isso traz, por favor, oh Deus! que tal uma porta só para variar?...

01/08/2009

Metáforas de Verão


Pequenos prazeres nas férias de Verão:
- Mergulhar o corpo na água do mar e deixar-me levar ao sabor da maré, como um barco à deriva.
- Ficar de pé à beira-mar e sentir a terra a fugir-me debaixo dos pés com o recuar das ondas.
- Caminhar descalça na areia e sentir os pés enterrarem-se, os pequenos grãos que massajam os pés e passam entre os dedos.
- Assistir ao pôr-do-sol, quando as sombras se deitam, o mar toma um banho dourado, os relevos da areia alternam entre sombra e luz e o céu ganha cores que passam pelo azul, o lilás, o amarelo e o laranja.

Gosto destas sensações, mas só na sua descrição e significado literal.
Acaba por ser irónico... Logo eu que gosto tanto de metáforas...
Metaforicamente detesto deixar-me levar ao sabor da maré, não sou nem nunca fui uma maria-vai-com-as-outras.
Detesto sentir a terra a escapar-me debaixo dos pés, sentir-me sem chão, sentir que perdi as certezas, que estou a cair, detesto sentir que me estou a enterrar.
As sombras aprendi a aceitá-las, causadoras de muitos medos na infância quando eram o esconderijo de monstros tenebrosos, agora acho que até gosto das sombras, significa que do outro lado se encontra a luz.
É só outra maneira de ver as coisas...

Qual é a cidade?


Li há alguns dias num livro que podemos resumir a identidade de um local ou de uma pessoa a uma só palavra e que isso nos pode ajudar a perceber porque há sítios, lugares, países, cidades onde nos sentimos em casa e outros em que, por mais que nos esforcemos não conseguimos aceitar como nossos.
Ao início isto pode parecer uma ideia muito redutora, mas obrigou-me a um exercício muito interessante e inesperado.
Já vivi em várias cidades e descobri um nome/palavra para cada uma delas.
A cidade onde nasci e onde vivi a adolescência não consigo identificá-la com mais nenhuma palavra a não ser FAMÍLIA, não sei se é uma ideia ou pensamento comum aos seus habitantes, mas não consigo desligar a palavra à terra. É onde eu tenho o colo, é onde reencontro os familiares mais próximos do coração e os amigos de berço que, por sempre terem existido na minha vida, são família também.
Coimbra, onde estudei, pode ser duas palavras.
Coimbra é SAUDADE. Respira-se a saudade, canta-se e vive-se a saudade. É uma cidade que ficou e ficará para sempre guardada no meu coração, onde gosto de voltar todos os anos, mas não é uma cidade onde pudesse viver. Sou nostálgica e romântica, podia inserir-me nesse contexto, mas SAUDADE não é a palavra que me identifica. Se voltasse a viver em Coimbra possivelmente ir-me-ia afundar em melancolia.
Coimbra é também UNIVERSIDADE, mas mais uma vez, só se sente e faz sentido vivê-lo enquanto se é estudante.
Évora, onde trabalhei alguns anos é CALMIA, como a paisagem, como as planícies, como a maneira que o sol encontra de a banhar. É uma cidade cheia de pequenos encantos, boa gastronomia, habitantes risonhos e simpáticos. É uma terra linda para se visitar, mas para mim a calmia não me chega para viver, sinto-me enclausurada e falta-me o ar, falta-me qualquer coisa para além do que Évora oferece.
Lisboa, acho que é FADO. O fado não só como canção, mas em todo o seu significado, de destino, de aceitação, em todas as suas vertentes bairrista, da espera, da tristeza, de paisagens e cheiros que a própria cidade vai desenhando.
Lisboa ainda encerra em si o cheiro da sardinha assada, o som da guitarra portuguesa pelas vielas de alfama, as "peixeiradas" nos bairros, a tristeza de quem espera que nos ficou das mulheres que viram os homens partir para o mar e nunca mais voltaram...
Lisboa é FADO, é esse fado de quem espera, senta, conta, chora, sente e sofre.
Apesar do fado me dizer muito à alma, apesar de o sentir na pele e nos ossos, não sei se consigo dizer que esta é a minha cidade. Estou a aprender a descobrir e amar Lisboa, mas também não é esta a minha palavra.
Foi muito fácil saber a minha palavra e quem me conhece também a descobre facilmente. Está presente em todos os meus dias, está em mim, em tudo o que sou, tudo o que faço, está na minha maneira de me comunicar, na minha vida, nas minhas escolhas, em tudo o que me faz feliz.
Será que alguem conhece a cidade do AMOR?

13/06/2009

Santo António

Dia de Santo António.
Nunca percebi muito bem o porquê da associação do bendito santo aos casamentos, o que é verdade é que transpira-se esta carga dos amores, dos casais e do par ideal nas ruas, na comunicação social e, infelizmente, no meu coração.
Muitas vezes, dou por mim a pensar no que ando eu a fazer mal, que se passa comigo, onde nesse caminho me extraviei para não ter aquilo que "todos" têm, por não ter encontrado a outra metade, essa tranquilidade ao lado de alguém que tanto se fala.
Saio de casa e vou ao supermercado.
O dia está quente (já o ano passado assim foi).
À entrada compro um manjerico, não tem quadra.
Faço as compras da semana.
Como sempre escolho a fila mais lenta. Oiço a senhora da caixa a comentar que está mesmo a precisar das férias que aí vêm.
Vai ficar por casa, não tem companhia para ir a lado nenhum, só o filho, mas esse prefere os amigos. É divorciada.
Sigo à padaria do bairro.
Está uma fornada de pão a sair.
A senhora que está a atender desabafa com uma cliente. Encontrou o filho a falar com uma amiguinha na net, olhou para a mãe com os olhos brilhantes de lágrimas contidas. Não conseguiu responder à amiga, não conseguiu dizer-lhe que o pai saiu de casa sem aviso, que o abandonou a ele e à mãe. Escondeu-lhe a verdade, não vale a pena falar nisso, disse ele.
Volto para casa com os sacos nas mãos.
Repensam-se as mágoas.
Estou bem. Acho que não preciso dessa outra metade (porque já sou inteira), a tranquilidade encontro-a na minha solidão que é escolha, que é calma, que é cheia daquilo que gosto de fazer sem precisar do aval de ninguém.

É noite ébria, noite de transbordar as "mágoas" em diversão e sorrisos.
O pretexto da festa ajuda sempre e na inspiração do momento, num regresso a casa flutuando em vapores inebriantes dos restos de folia faz-se a quadra para o manjerico:


O meu material de pesca há muito que não trabalha (nem sei se algum dia chegou a trabalhar verdadeiramente), serve para ir brincando aqui e ali numa vertente amadora e desportiva.
A fome obriga-nos a aceitar qualquer peixe que apareça e eu não preciso pescar para comer, o que é uma vantagem.
Por isso, enquanto durar a brincadeira, brinquemos!
A todos um feliz dia de Santo António.

08/06/2009

Aquilo que sou

Se um dia me aproximar de ti
Não penses que é só um flirt
Não julgues que é um filme
Que já viste em qualquer parte

Pensa bem antes de agir
Evita ser imprudente
Faz a carta do meu signo
E vê à lupa o ascendente

Tem cuidado e tira a teima
Vê aquilo que sou
Tem cuidado e tira a teima
Vê aquilo que sou


Tu não sonhas ao que venho
Não sabes do que sou capaz
Eu dou tudo quanto tenho
Não funciono a meio gás

Vem sentar-te à minha frente
E diz-me o que vês em mim
Não respondas já a quente
Pondera antes de dizer sim

Tem cuidado e tira a teima
Porque aquilo que sou fere, rasga e queima
Tem cuidado e tira a teima
Porque aquilo que sou fere, rasga e queima

Diz-me, diz-me se vês o granito
Onde se gravam os grandes temas
Diz-me se vês o amor infinito
Ou somente um par de algemas

Tem cuidado e tira a teima
Porque aquilo que sou fere, rasga e queima
Tem cuidado e tira a teima
Porque aquilo que sou fere, rasga e queima

Tem cuidado e tira a teima
Vê aquilo que sou
Tem cuidado e tira a teima
Vê aquilo que sou

04/06/2009

Pescar um espadarte



Pescar um espadarte não é fácil.

Torna-se ainda mais difícil quando nunca vimos nenhum, nunca comemos nenhum, quando o mais perto que estivemos de encontrar um foi nas palavras da experiência de alguém.

Será que existem mesmo espadartes?

Não será isso um mito? como as sereias que seduzem marinheiros desprevenidos?

Perco-me muitas vezes nesta pesca de um peixe que não conheço...

A pesca é difícil e exigente.

Nunca tive a paciência necessária para pescar.
Divirto-me a observar a minha (má) sorte no anzol, mas o tempo de espera é sempre para mim uma tortura.


Pesco muitas algas com as mais variadas cores e formas, que me dão vida à rede, me alegram e me divertem.

Pesco peixinhos dourados, carapaus desenxabidos, taínhas asquerosas, polvos metediços, estrelas e ouriços do mar (bonitos de ver mas que não servem para comer), peixes de rio, peixes de mar, peixes de aquacultura que nunca experimentaram a liberdade... devolvo-os todos, deixo-os ir.


No entanto, noto em mim uma forte tendência para a sardinha.
A pequena, louca e irrequieta sardinha.

Aguardo um Inverno de ansiedade para a reencontrar, delicio-me com ela, adoro o seu sabor, satisfaz-me nas noites quentes de Verão.

É um peixe que nos deixa nas mãos o seu cheiro durante horas, lavo, lavo e lavo e o cheiro permanece cravado na pele.

É também frequente, depois da refeição, ficar com uma espinha ou outra atravessada na garganta como aquelas palavras que nos engasgam e custam a sair.

Acabando o Verão desaparecem, vão embora nos seus cardumes de loucura.

Gosto de sardinhas, sei que gosto.


Como vou eu pescar um espadarte, se não consigo esquecer as sardinhas?

Será que quero mesmo pescar um espadarte?

Será que tenho essa força? essa vontade? esse querer?


Será que prefiro a certeza e segurança de um peixe "rico" como o espadarte ou o desafio espinhoso, a aventura alucinante, o vai e volta inconstante e o intenso sabor da sardinha?


As metáforas matam-me, mas a vida é mesmo um
mar de dúvidas...

13/04/2009

O caminho

Quando tudo parece perdido, quando já não sabes para onde deves ir, ata as tuas botas, desempoeira a roupa e segue.

Não importa o objectivo.
Mesmo que pareça ser algo insignificante, algo que até podes achar que não te vai levar longe, algo que todos te dizem que não vale a pena... Quando o queremos, quando o sentimos, há que segui-lo.
Seja qual for o objectivo inicial, o caminho é o mais importante.

Quando nos decidimos a seguir o caminho, há que fazê-lo com passo firme, decidido, sem medo.
Não importa o impulso que nos levou a fazê-lo, não importa que trilhos imaginámos no início da caminhada.
O que importa é mesmo o caminho, o que importa são as experiências que adquirimos por o termos seguido, as pessoas que conhecemos nas encruzilhadas e os atalhos que encontrámos das vezes que nos perdemos.
De nada vale procurar o caminho mais curto, mais fácil... com essas preocupações acabamos por não aproveitar aquilo que a viagem tem para nos oferecer.

Não sei se somos nós que escolhemos o caminho, se é o caminho que nos escolhe a nós...
Nunca descobriste um caminho novo só porque te perdeste ao seguires um atalho que não conhecias?
Nunca te aconteceu algo fantástico só porque uma série de acontecimentos te levaram a ir pela estrada A em vez da estrada B?
Nunca conheceste uma pessoa especial quando o teu objectivo era fazeres algo completamente diferente?
E quando pensas nisso, dias mais tarde, dás por ti a sorrir?

Se nos deixarmos levar por esses trilhos, beber das águas dessas fontes, cheirar as flores do caminho, perguntar direcções ao habitantes (nem que seja para meter conversa), há tantas coisas que aprendemos, tantas que sentimos, tantas que conhecemos...
Basta deixarmos de nos preocupar que as respostas surgem e as coisas acontecem, mesmo quando não as esperamos.

02/04/2009

Ter de ir, ter de fazer, ter de ser...


Há alturas na nossa vida em que nos rodeamos de gente, sejam eles quem forem, porque precisamos do barulho, da confusão, das imagens que nos "limpam" a mente de pensamentos que queremos evitar.
Há outras fases em que nos tornamos selectivos e apenas queremos ao nosso lado aqueles de quem realmente gostamos, aqueles que gostam de nós e aqueles que nos fazem bem, quer pela diversão, quer pela conversa, quer pela companhia ou interesses comuns.

Ou então preferimos ficar sozinhos.

Essas alturas são as consideradas mais egoístas e mais egocêntricas. Nem toda a gente nos compreende, nem toda a gente consegue ver que não estamos para levar com "birras", que não queremos saber se o verniz que a tia usa subiu de preço, que não estamos para ouvir que o mundo está cada vez pior, que o trabalho é chato, que os colegas são desleixados...

Quem compreende quando dizemos que não nos apetece estar com aquela pessoa?

Quem compreende quando recusamos uma festa só porque vai "gente a mais"?

Quem compreende quando preferimos um cházinho íntimo e modesto a uma grande jantarada com tudo o que é gente?

É difícil entender... eu sei... é difícil...

E cansa.

Aí dizemos: "estou mesmo a precisar de férias..."

E que bem que elas nos fazem...

Afastam-nos do tumulto do dia-a-dia, das obrigações, do ter de ir, do ter de fazer, do ter de ser...

É o nosso momento de revitalização, para retemperar energias, dar força para o novo ciclo do ter de ir, ter de fazer, ter de ser...

Voltamos.

Estamos animados, parece que conseguimos enfrentar tudo, sorriso nos lábios, boas recordações, bons momentos, paz, tranquilidade, coisas novas.

Chegamos.

Olhamos em volta e lá vem de novo a vida de plástico, em que nos obrigam a ter de ir, ter de fazer e ter de ser...

Basta.

Hoje não quero ir, não quero fazer e não quero ser assim.

Hoje não vou.

Posso?


25/03/2009

Cativar

"Foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu o principezinho com delicadeza.
(...)
- Anda brincar comigo, propôs-lhe o principezinho. Estou tão triste…
- Não posso brincar contigo, disse a raposa. Ainda ninguém me cativou.
(...)
- Que significa “cativar”?
(...)
- É uma coisa de que toda a gente se esqueceu, disse a raposa, significa “criar laços…”
(...)
-Para mim, não passas por enquanto, de um rapazinho em tudo igual a cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu não precisas de mim.
Para ti, não passo de uma raposa igual a cem mil raposas. Mas, se me cativares, precisaremos um do outro.
Serás para mim único no mundo. Serei única no mundo para ti (...) se tu me cativares, será como se o Sol iluminasse a minha vida.

E depois, olha! Vês, lá adiante, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me dizem nada. E é triste! Mas os teus cabelos são cor de oiro. Por isso, quando me tiveres cativado, vai ser maravilhoso. Como o trigo é doirado, fará lembrar-me de ti. E hei-de amar o barulho do vento através do trigo…
(...)
- Cativa-me, por favor, disse ela.
(...)
- Como é que hei-de fazer?, disse o principezinho.
-Tens de ter muita paciência, respondeu a raposa.
Primeiro, sentas-te um pouco afastado de mim, assim, na relva.
Eu olho para ti pelo cantinho do olho e tu não dizes nada.
A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, de dia para dia, podes sentar-te cada vez mais perto…

No dia seguinte, o principezinho voltou.
- Era melhor teres vindo à mesma hora, disse a raposa.
Se vieres, por exemplo, às quatro horas da tarde, às três já eu começo a ser feliz.
À medida que o tempo avançar, mais feliz me sentirei. Às quatro horas já começarei a agitar-me e a inquietar-me; descobrirei o preço da felicidade. Mas se vieres a uma hora qualquer, nunca posso saber a horas hei-de vestir o meu coração…

(...)
Foi assim que o principezinho cativou a raposa.

E quando se aproximou a hora da partida:
- Ah! disse a raposa… Vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, não queria que te acontecesse mal; mas tu quiseste que eu te cativasse (...)
- É certo, disse a raposa.
- Então não ganhas nada com isso!
-Ganho, sim, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
(...)
-Adeus, disse ele.
-Adeus, disse a raposa.
Vou dizer-te um segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração.
O essencial é invísivel para os olhos.
(...)
Os homens esqueceram esta verdade, mas tu não deves esquecê-la.
Ficas para sempre responsável por aquele que cativaste. "
(in O Principezinho - Saint-Exupèry)

18/03/2009

I've been here before...

Destruam-me a casa.
Mandem-me abaixo as paredes.
Arrombem-me as portas.
Abatam-me os tectos.
Estilhacem-me as janelas.
Força! Outra vez! Mandem tudo ao chão!
E outra, e outra, e mais outra vez!
Podem fazê-lo repetidamente, podem fazê-lo até se cansarem.
De cada vez que me forçam a reconstruí-la fica mais sólida, fica mais forte.
Há coisas que coloco em lugares diferentes, há janelas que já não abro, mudo a porta de sítio, dou menos valor aos enfeites, deixo ficar apenas o essencial... descubro, surpreendentemente, o que realmente merece estar na minha casa.
De todas as reconstruções aprendo novas técnicas, encontro novas ajudas, ensinam-me novos métodos para firmar a casa.
Ainda não sei se a quero neste sítio, se a quero mudar de terra.
Ainda não sei quantos quartos quero que tenha.
Ainda não sei se quero viver nela sozinha, se quero convidar alguém para cá morar (eventualmente... não agora!).
Ainda não sei se quero soalho ou mosaico, se quero banheira ou chuveiro.
Não sei. Não interessa nesta fase.
Apenas sei que, mais uma vez, vou começar do início e vou reconstruí-la, com todo o empenho, toda a força, coragem e dedicação que me merece o meu lar.
Sei, com toda a certeza, que as traves que ficam de fora realmente não fazem parte e não interessam. Sei que foi por essas traves que se deu o desabamento... Não as quero de volta!
Quero uma casa sólida e firme.
Começo a ganhar experiência.
Estou farta de caruncho... e caruncho é bicho que não quero a viver comigo.



Descobrimos que às vezes amar é ir embora...

16/03/2009

Tempestade e bonança


Odeio o Inverno. Odeio o frio, a chuva, o vento que corta.

Detesto céus cinzentos, dias nublados, nevoeiro.
Detesto andar cheia de roupa. Detesto camisolas sobre camisolas com casacos, impermeáveis, cachecóis e afins.
Não gosto de andar de chapéu de chuva. Detesto sair do carro a chover e andar de um lado para outro quando chove.
Detesto a sensação de humidade, de pele viscosa, de cabelo encrespado e alvoraçado.
Detesto sentir frio, de me sentir a gelar, de tremer, das mãos frias e dos pés frios que teimam em não aquecer.
Detesto a ponta do nariz gelada, o pingo a cair, as rosetas do frio.
Não gosto de tempestades, de trombas de água, de trovões.

Não gosto de nada disto... mas sei que são necessários.

Confesso que necessito passar pelo Inverno para melhor saborear o Verão.
Só assim posso amar o sol, o quentinho dum final de tarde, a liberdade de andar com pouca roupa e chinelos na rua.
Só assim dou verdadeiro valor ao céu azul, ao céu estrelado, às noites quentes, às esplanadas e bebidas frescas.
Só assim posso saber como amo o Verão.
Sei que preciso das tempestades que me abalam o mundo para beber da calmia da bonança.
As tempestades podem ser fortes, violentas, deitar por terra quase tudo aquilo que temos e conhecemos como nosso e verdadeiro, podem parecer dolorosas, desnecessárias, intermináveis mas, mais cedo ou mais tarde, elas acabam mesmo por passar.

A sensação vitoriosa de estares de pé no final mostra-te que a tempestade fez de ti uma pessoa melhor e mais forte.

E a paz e tranquilidade que sentes passam a fazer todo o sentido, sentes que tudo valeu a pena.

Afinal, agora, o sol brilha lá fora.

12/03/2009

"Hagas lo que hagas lo que tenga que pasar, pasará..."

03/03/2009

Acreditas?

Acredito:
  • que quando falo com Deus há algo ou alguém que me escuta
  • que nada acontece por acaso
  • em sinais
  • que somos muito mais que este corpo que apresentamos
  • que a "morte" é uma passagem
  • na energia positiva
  • que quando seguimos o nosso coração o universo conspira a nosso favor
  • na amizade
  • na amizade entre homem e mulher sem segundas intenções
  • no destino
  • que há pessoas que existem na nossa vida para nos lembrarem qual é o nosso caminho
  • que quando precisamos de uma resposta basta estarmos atentos que ela aparece
  • que não vale a pena fugir, evitar, esconder... temos de enfrentar os nossos medos, receios, as situações/pessoas sob pena de se tornarem assuntos pendentes
  • que os assuntos pendentes nos perseguem até que os resolvamos
  • no Bem e no Mal como parte integrante de cada um de nós
  • que há "pessoas especiais"
  • que as más experiências servem para nos encaminhar para algo melhor/maior
  • que é possível ser feliz sem marido/mulher ou namorado(a)
  • que as crianças nos ensinam mais a nós que nós a elas, depois crescemos e esquecemos...
  • que todos temos que descobrir quem somos na nossa essência e que para isso precisamos de estar sozinhos (uns conseguem-no mais cedo, outros são forçados a fazê-lo na velhice, outros há que têm de cá voltar...)
  • na intuição, no sexto sentido
  • em sonhos
  • no Amor...
  • em mim!


"Acreditar em algo e não o viver é desonesto." (Gandhi)

E tu?
Em que é que acreditas?


Hoje é um dia especial... 3/3 :)

27/02/2009

Tu e Eu



O Eu é pleno de individualidade, vive fechado no seu mundo, ele é ele e mais nada.
O Eu constrói-se e revela-se na sua relação com o Tu. Só na relação com o Tu se compreende quem é o verdadeiro Eu.

O Eu sente e diz ao Tu as coisas em que acredita, aconselha, incentiva. Mas só quando se decide a sair da sua caixa protectora é que realmente experencia tudo aquilo que só conhecia em livros...

"Um livro é um livro, mas o mundo é o mundo!..."

É nos momentos de crise, mais dramáticos, nas más experiências que o Eu descobre quem é o Tu que lhe dá a mão, quem é que está lá quando ele precisa.
É nessas alturas em que o Tu faz o seu papel e reforça ao Eu todos os conselhos, todas as palavras de apoio, incentivo, esperança que até ali o Eu só conhecia pelos livros.
É nessas alturas que ficamos felizes de ter alguém ao nosso lado que nos diga exactamente o que precisamos ouvir, que nos lembre onde é o caminho.

De nada vale fecharmo-nos na caixa protectora com medo das setas que nos possam atingir... Na verdade, são as setas que nos ajudam a perceber quem somos no íntimo e quem somos com os outros.

A mensagem final é arrisca! não tenhas medo de voar! o mundo lá fora está à tua espera... e é lindo...


Um serão bem passado, com boa companhia, boas palavras e sorrisos de olhos.
Gostei!
Obrigada aos Tus que acompanharam o Eu.

Recomendo a quem consiga tirar das entrelinhas e apreciar uma boa peça.

Tu e Eu.

14/02/2009

Amor



Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos,
se não tiver amor, sou como um bronze que soa
ou um címbalo que retine.
Ainda que eu tenha o dom da profecia
e conheça todos os mistérios e toda a ciência,
ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas,
se não tiver amor, nada sou.
Ainda que eu distribua todos os meus bens
e entregue o meu corpo para ser queimado,
se não tiver amor, de nada me aproveita.
O amor é paciente,
o amor é prestável,
não é invejoso,
não é arrogante nem orgulhoso,
nada faz de inconveniente,
não procura o seu próprio interesse,
não se irrita nem guarda ressentimento.
Não se alegra com a injustiça,
mas rejubila com a verdade.
Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais passará.
As profecias terão o seu fim,
o dom das línguas terminará
e a ciência vai ser inútil.
Pois o nosso conhecimento é imperfeito
e também imperfeita é a nossa profecia.
Mas, quando vier o que é perfeito,
o que é imperfeito desaparecerá.
Quando eu era criança,
falava como criança,
pensava como criança,
raciocinava como criança.
Mas, quando me tornei homem,
deixei o que era próprio de criança.
Agora, vemos como num espelho,
de maneira confusa;
depois, veremos face a face.
Agora, conheço de modo imperfeito;
depois, conhecerei como sou conhecido.
Agora permanecem estas três coisas:
a fé, a esperança e o amor;
mas a maior de todas é o amor.

(1ª Carta de S. Paulo aos Coríntios, capítulo13)
Dia de S. Valentim, dos namorados, mas principalmente, dia de celebrar o amor.
Hoje agradeço o amor da família.
Hoje agradeço o amor dos amigos.
Hoje agradeço todo o amor que tenho, que guardo, que tive e que terei.
Hoje celebro o amor!


11/02/2009

Pescar



Não podes aprender a pescar num livro, tens de te aventurar a sair e fazê-lo.
Pescar não é uma ciência.
Só porque se lança a linha não é garantido que um peixe vá morder o isco.
Apanhar peixes não está inteiramente sob o controlo do pescador. A questão de apanhar um depende de muitas variáveis: tempo, isco, se os peixes têm fome...

Apanhar um bom peixe é uma questão de escolha do momento.
Até pessoas experientes, bem equipadas, podem passar uma temporada sem apanhar quase nada.
Um pescador genuíno tem prazer em entrar na água, sentar-se no barco e gabar-se do grandalhão que apanhou "naquele dia".
Um verdadeiro pescador não pensa em abandonar o desporto só porque não pescou nada.
Ele sabe que mais cedo ou mais tarde apanhará um peixe, sem precisar de se preocupar.
Pescar é tanto respirar ar fresco, afastar mosquitos, olhar o mar, saborear o sol e contar histórias de pescarias quanto apanhar peixe.
Ninguém está a fazer contas. O prazer não depende de quanto se apanhou. Não depende de quantos peixes estão no balde; em vez disso, depende da pessoa que está a pescar.
A alegria nasce do coração do pescador.

É como diz o velho pescador:
"-Vai para onde os peixes vão e aproveita a viagem!"