Mentiram-me.
Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente.
Mentem de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.
(...)
Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.
(...)
Penso nos animais que nunca mentem,
mesmo se têm um caçador à sua frente.
Penso nos pássaros
cuja verdade do canto nos toca
matinalmente.
Penso nas flores
cuja verdade das cores escorre no mel
silvestremente.
Penso no sol que morre diariamente
jorrando luz, embora
tenha a noite pela frente.
(...)
Página branca onde escrevo.
Único espaço de verdade que me resta.
Onde transcrevo
o arroubo, a esperança, e onde tarde
ou cedo deposito meu espanto e medo.
Para tanta mentira só mesmo um poema
explosivo-conotativo
onde o advérbio e o adjectivo
não mentem ao substantivo
e a rima rebenta a frase
numa explosão da verdade.
E a mentira repulsiva
se não explode pra fora
pra dentro explode
implosiva.
(A implosão da mentira - Affonso Romano de Sant'Anna)
Uma noite fria.
Entra-se noutros meridianos que fazem lembrar momentos passados, parece que se navega naquele rio...
Tudo começa com "siga pelo caminho errado", só quando perdemos é que conseguimos encontrar.
Sons que transportam para outras geografias, sons de calor, sons de natureza, palavras que fazem sentido e que se levam para casa.
Ouvem-se as mentiras, guardam-se as verdades, no papel, no palco e na vida.
Pedrinho obrigada pela boa companhia nesse serão "Meridional".
Obrigada pelos desejos.
"Desejo a você" também!
:)


