26/11/2010

embrasse-moi

Esta noite vieste até mim,
senti-te, cheirei-te, saboreei-te

Estava lá o teu sorriso e aquele olhar...

Senti o teu abraço quentinho, carinhoso,
as tuas mãos que encontravam as minhas,
o toque da tua pele,
aquele sentimento de pertença e de verdade que já tinha esquecido.
Abraçaste-me, beijaste-me.

Abri os olhos e não estavas,
mas tive-te comigo todo o dia...

assim..


gostei da visita :)

17/11/2010

sobre a velhice


Ainda sou do tempo em que as crianças aprendiam a respeitar os mais velhos, a vê-los como fonte de sabedoria e admirar as suas histórias de vida.
Hoje envelhecer tornou-se um incómodo, um empecilho.
Vivemos a fugir da velhice inevitável e perdemos o nosso tempo que escasseia a arranjar estratégias para nos mantermos jovens.
Hoje ninguém quer saber o significado das linhas que foram surgindo no rosto de alguém, que histórias têm para contar, que lições aprenderam ao longo dos anos, que amores sentiram, que aventuras viveram.
Hoje ser velho é ser nada, ou pior, é ser um estorvo, algo a despachar...

Facilmente alguém diz que dá a vida por um filho.
Matam-se a trabalhar para lhes darem "tudo", deixam de ter vida própria em prol daquele rebento. Tudo passa a girar em torno daquele pequeno e recente ser, que ainda nada é, nada foi, nada deu, nada viveu.
Mas quem, hoje em dia, faz o mesmo por um pai?
Quem deixa a sua vida para cuidar e acompanhar até ao final esse ser que lhes deu tudo, que viveu por eles, que sofreu por eles, que deu histórias ao mundo, que traçou o seu caminho, esse ser que lhes deu a vida?...
Que exemplo estão a dar aos vossos filhos quando tratam os vossos pais como estorvo?
É assim que querem ser tratados também?
Querem livrar-se da velhice, livrando-se dos velhos.
Não vêem que jamais voltarão a ser crianças, mas que o futuro é a envelhecer.
Envelhecer é inevitável, há que saber fazê-lo bem, há que aprender com os outros que já passaram por lá, há que tirar o melhor que daí vem.
Envelhecer é algo comum a todos nós.
Respeitemos, amemos e admiremos o caminho longo que alguém trilhou.
Um dia, mais tarde, talvez alguém possa olhar para nós com a mesma admiração.

Para a minha avó.


"Sejamos a mudança que queremos ver no mundo" - Gandhi

16/11/2010

ainda há quem compreenda

O que quero é fazer o elogio do amor puro.
Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade.
Já ninguém quer viver um amor impossível.
Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.
Porque dá jeito.
Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”.
O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.
A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível.
O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.
Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.

Já ninguém se apaixona?

Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso “dá lá um jeitinho sentimental”.

Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos.
Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores.
O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.

Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina.
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.

O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida.
A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre.
Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira.
E valê-la também.

Miguel Esteves Cardoso

13/11/2010

home




I need to go home


I just don't know where home is...

10/11/2010

outras dores



Não me dói tê-lo perdido, porque nunca o tive

dói-me que tenha levado consigo a minha capacidade de amar...

07/11/2010

encontrei-te


Procurava algo assim.
Saí sem rumo, sem direcção específica.
Deixei que as rodas me levassem, parei onde houve espaço para parar e andei.
Encontrei-o ali, na minha frente, a meio do caminho de não sei o quê.
E ali estava, exactamente como eu tinha desejado, com um lugar só para mim.
Encontrar aquilo que se procura tem um gosto especial, as coisas têm outro sabor, outro calor, outro aconchego.
O sorriso não me largou toda a tarde.
Só por isso, hoje sinto-me feliz!
:)

06/11/2010

choice



When once, through my treachery, it had been necessary to him to make a choice (...)
His choice had been to stay in the deep dark water far out beyond all snares and traps and treacheries.
My choice was to go there to find him beyond all people.
Beyond all people in the world.
Now we are joined together and have been... and no one to help either one of us.

(The old man and the sea - Ernest Hemingway)

03/11/2010

sobre nós



desatar nós, soltar amarras, largar as cordas soltas no vento, no sol...
porque a vida dá as suas voltas, porque o que é hoje muda para sempre amanhã, porque até nos momentos piores podemos aprender a ser felizes..