Odeio o Inverno. Odeio o frio, a chuva, o vento que corta.
Detesto céus cinzentos, dias nublados, nevoeiro.
Detesto andar cheia de roupa. Detesto camisolas sobre camisolas com casacos, impermeáveis, cachecóis e afins.
Não gosto de andar de chapéu de chuva. Detesto sair do carro a chover e andar de um lado para outro quando chove.
Detesto a sensação de humidade, de pele viscosa, de cabelo encrespado e alvoraçado.
Detesto sentir frio, de me sentir a gelar, de tremer, das mãos frias e dos pés frios que teimam em não aquecer.
Detesto a ponta do nariz gelada, o pingo a cair, as rosetas do frio.
Não gosto de tempestades, de trombas de água, de trovões.
Não gosto de nada disto... mas sei que são necessários.
Confesso que necessito passar pelo Inverno para melhor saborear o Verão.
Só assim posso amar o sol, o quentinho dum final de tarde, a liberdade de andar com pouca roupa e chinelos na rua.
Só assim dou verdadeiro valor ao céu azul, ao céu estrelado, às noites quentes, às esplanadas e bebidas frescas.
Só assim posso saber como amo o Verão.
Sei que preciso das tempestades que me abalam o mundo para beber da calmia da bonança.
As tempestades podem ser fortes, violentas, deitar por terra quase tudo aquilo que temos e conhecemos como nosso e verdadeiro, podem parecer dolorosas, desnecessárias, intermináveis mas, mais cedo ou mais tarde, elas acabam mesmo por passar.
A sensação vitoriosa de estares de pé no final mostra-te que a tempestade fez de ti uma pessoa melhor e mais forte.
E a paz e tranquilidade que sentes passam a fazer todo o sentido, sentes que tudo valeu a pena.
Afinal, agora, o sol brilha lá fora.
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