02/04/2009

Ter de ir, ter de fazer, ter de ser...


Há alturas na nossa vida em que nos rodeamos de gente, sejam eles quem forem, porque precisamos do barulho, da confusão, das imagens que nos "limpam" a mente de pensamentos que queremos evitar.
Há outras fases em que nos tornamos selectivos e apenas queremos ao nosso lado aqueles de quem realmente gostamos, aqueles que gostam de nós e aqueles que nos fazem bem, quer pela diversão, quer pela conversa, quer pela companhia ou interesses comuns.

Ou então preferimos ficar sozinhos.

Essas alturas são as consideradas mais egoístas e mais egocêntricas. Nem toda a gente nos compreende, nem toda a gente consegue ver que não estamos para levar com "birras", que não queremos saber se o verniz que a tia usa subiu de preço, que não estamos para ouvir que o mundo está cada vez pior, que o trabalho é chato, que os colegas são desleixados...

Quem compreende quando dizemos que não nos apetece estar com aquela pessoa?

Quem compreende quando recusamos uma festa só porque vai "gente a mais"?

Quem compreende quando preferimos um cházinho íntimo e modesto a uma grande jantarada com tudo o que é gente?

É difícil entender... eu sei... é difícil...

E cansa.

Aí dizemos: "estou mesmo a precisar de férias..."

E que bem que elas nos fazem...

Afastam-nos do tumulto do dia-a-dia, das obrigações, do ter de ir, do ter de fazer, do ter de ser...

É o nosso momento de revitalização, para retemperar energias, dar força para o novo ciclo do ter de ir, ter de fazer, ter de ser...

Voltamos.

Estamos animados, parece que conseguimos enfrentar tudo, sorriso nos lábios, boas recordações, bons momentos, paz, tranquilidade, coisas novas.

Chegamos.

Olhamos em volta e lá vem de novo a vida de plástico, em que nos obrigam a ter de ir, ter de fazer e ter de ser...

Basta.

Hoje não quero ir, não quero fazer e não quero ser assim.

Hoje não vou.

Posso?


Sem comentários:

Enviar um comentário