17/06/2010

alentejei-me

Foi sem mais nem menos... que selei o 1300 azul...

"Foi sem graça, nem pensando na desgraça, que entrei pelo calor.
Sem pendura, que a vida já me foi dura para insistir na companhia..."

Percorrer montes e vales dourados, com salpicos fofos de um verde pouco vibrante, aqui e ali.
O telemóvel silencioso longe do coração.
Aridez. Interior.
Voltar onde não me permiti ser feliz outrora e sê-lo genuinamente agora.
Rever amigos, conhecer novos.
Deixar-me embalar pelo sotaque cantado dos giraldinos.
Sorrir, rir, gargalhar até cansar.
Aprender expressões novas, frases novas, brincadeiras novas com as situações e com as palavras.
Pertencer por uns dias a um grupo que não me pertence.
Estar longe e sentir-me em casa.
Pegar um bebé no colo e dar-lhe as boas vindas à família.
Atravessar o Alentejo, bem pelo meio, por onde não passa vivalma.
Estradas todas minhas, em direcção ao mar.
A sensação de, naquele preciso momento, ninguém saber verdadeiramente onde estou.

"Será que existe em mim um passaporte para sonhar?
A fúria de viver é a mesma fúria de acabar..."

Estar totalmente só.
Sentir que a solidão é natural, é fácil, é tranquila.
Estar só no meio de nada é tão mais fácil que a solidão acompanhada.
Ter a companhia das cegonhas, par em par, par em par...
Em Sines tornar real o virtual.
Mais que conhecer, reconhecer um amigo.
Copos vazios à beira-mar, dar outro sabor àquela costa.
Mergulhar sem roupa, só porque sim, só porque quero, só porque posso.
Sentir-me parte daquele mundo e sentir-me de ninguém.
Atravessar entre os golfinhos.
Sentir o vento no corpo.
O caminho que me leva a casa...
Abrir a porta cansada, sorridente e salgada.

"Alentejei-me" e foi tão bom!



"Talvez... um dia... me encontre.
Assim... talvez me encontre"

Sem comentários:

Enviar um comentário