13/02/2011
Eu vou te contar que você não me conhece.
E eu tenho que gritar isso porque você está surdo, e não me ouve.
A sedução me escraviza a você, e ao fim de tudo você permanece comigo: mas preso ao que eu criei e não à mim.
E quanto mais falo sobre a verdade inteira, um abismo maior nos separa.
Você não tem um nome, eu tenho.
Você é um rosto na multidão e eu sou o centro das atenções.
Mas a mentira da aparência do que eu sou e a mentira da aparência do que você é, porque eu não sou o meu nome, e você não é ninguém.
O jogo perigoso que eu pratico aqui, ele busca chegar ao limite possível de aproximação, através da aceitação da distância e do reconhecimento dela.
Entre eu e você existe a notícia que nos separa e eu quero que você me veja a mim.
Eu me dispo da notícia e a minha nudez parada te denuncia e espelha.
Eu me relato.
Tu me delatas.
Eu vos acuso e confesso por nós
só assim me livro das palavras com as quais você me veste.
Fauzi Arap
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